Faz das tuas lágrimas adubo para uma vida feliz!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Talvez eu


O dia amanheceu limpo e claro. Ela saiu de casa, deixando o seu irmão no autocarro para ir para a escola. Seguiu para a cidade em busca de algo. Talvez de uma pessoa, ou de um simples olhar, ou ainda de um simples sorriso. Andou pela cidade o dia todo, sem nunca encontrar o que procurava. Talvez aquilo que ela procurava não estivesse presente, talvez estivesse longe. A manhã manteve-se limpa. Ela continuava na sua busca incansável, tentando atingir um objectivo que cada vez estava mais longe de se realizar. Entardeceu, o céu estava mais escuro, fazendo vento, a brisa leve que se sentia tornou-se cada vez mais fria e mais forte. Ela lá continuava, olhando para todos os becos e esquinas. Depressa começou a chover, mas nada a fez deter. Depois de um dia de buscas inatingíveis, ela voltou para casa, triste mas confiante. Encontrou o pai sozinho em casa. Ficou em casa esperando a chegada do seu irmão da escola. Ele chega. Sem mais nada para preocupá-la, refugiou-se no seu quarto. O tempo foi passando, até se fazer noite. Com a noite chegou a chuva. Ela sentou-se à janela, olhando para as lágrimas das nuvens. As lágrimas iam caindo uma a uma no terraço, desfazendo-se rapidamente no chão. Pensativa encostou a cabeça a parede. Que pensava ela? Talvez no objectivo não cumprido. Dos seus lindos olhos nasciam agora duas pérolas, que escorreram pelo rosto. As suas lágrimas confundiam-se agora com as lágrimas de chuva que lá fora continuavam a cair. Pareciam lágrimas de felicidade mas ao mesmo tempo lágrimas de tristeza. Num gesto confiante, secou as lágrimas. Olhou de novo para a rua. Que quererá ela? Vagueou em silêncio pelo quarto. O quarto estava pouco iluminado, apenas pela luz do candeeiro da rua. Olhou para a janela e viu os pingos de chuva que pareciam diamantes, brilhando devido a luz. Que lindo. Ela sorriu, talvez se apercebesse que estava a perder muito tempo com coisas superficiais. Porque será que não foi ao encontro do que procurava e simplesmente se limitou a ficar a espera que isso aparecesse? Ninguém sabe, apenas ela, se é que ela sabe… Por isso, encontra sem procurar, aquilo que ela procura sem encontrar! Nada ao encontro do teu navio e não esperes que ele chegue ao cais. A viagem pode ser dura, terás muitos inimigos à espreita, mas lembra-te apenas da felicidade que te espera quando o alcançares.


UrAngel

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